História

“Lebon Régis tem apresilhado, em sua existência, uma das estradas mais antigas da região, segundo uma pedra que testemunha a idade de 1815, que ainda se encontra silenciosa no mesmo lugar”. José Dileno Dias

Temos uma data, da qual podemos partir, para determinar o surgimento dos primeiros habitantes, não índios, no município de Lebon Régis, como registramos acima (1815), mesmo que antes a região tenha sido habitada por índios e outros (portugueses e espanhóis), pois, por esta região, certamente passaram bandeirantes, jesuítas e a excursão, em 1541, do espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca, que partiu da Ilha de Santa Catarina para transpor a Serra do Mar e atingir por terra o Paraguai, determinando o descobrimento das Cataratas do Iguaçu. Mas a data acima determina o registro histórico.

Temos pouco conhecimento de ocupação desta região, até 1887. Só então, passou a ser conhecida no Brasil inteiro e no exterior, pela construção da Estrada de Ferro que passa por Caçador, chamada, Estrada de Ferro São Paulo Rio Grande.

Pois bem, esta estrada, na qual se encontra essa pedra, era uma das variantes da Estrada da Mata, por onde as tropas vindas das campanhas gaúchas e campos de Lages passavam, rumo a Sorocaba, ou com os tropeiros vindos de volta com mercadorias desta e de centros maiores, como São Paulo e Curitiba. Nestes caminhos, surgiram algumas povoas ou vilas. Na região do hoje município de Lebon Régis, surgiram as duas primeiras: Perdiz Grande (hoje São Sebastião do Sul – Manoel Alves d’Assumpção Rocha, fundador do Arraial) e Serra da Boa Esperança (após a conquista dos campos de Curitibanos, do Corisco e de São João, esta comunidade é uma das mais antigas da região de Lebon Régis, por volta de 1878).

Para continuar contando a história do município de Lebon Régis, vamos falar da região, dos “monges”, da Guerra do Contestado, da Estrada de Ferro e da Lumber, pois estas histórias estão interligadas no município. No livro História do Município de Lebon Regis – Guerra do Contestado e Memórias em Volta do Fogo de Chão, do escritor Adelmir Carlin do Prado, é possível detalhar com precisão a região, a geologia, a geografia, o clima, a vegetação, a antropologia e o povoamento.

O monge João Maria” – “Numa região e numa época em que os valores religiosos e mágicos perpassam toda a ideologia, onde a religião possuía sentido tão pragmático que as roças eram benzidas, e se acreditava curar as pessoas rezando sobre as feridas, onde servia inclusive para justificar as desigualdades e legitimar a estrutura social existente, não há que estranhar tenha sido impregnada de crenças religiosas e de misticismo a atmosfera explosiva e emocionalmente carregada que as tensões produziam.” (QUEIROZ, 1981, p.250).

“Após as primeiras escaramuças de Demétrio Ramos, em 1905, e as de Aleixo Gonçalves de Lima, em 1909, e, após o singular combate do Irani, em fins de 1912, no território contestado, sob a administração paranaense. Praticamente todas as demais ações aconteceram a Leste do Rio do Peixe e a Sul dos Rios Negro e Iguaçu, na área contestada sob a administração de Santa Catarina, tendo ao centro a região do atual município de Lebon Régis”. (Thomé, Nilson – Trem de Ferro, pág. 154).

Durante a Guerra do Contestado, Lebon Régis — na época, Distrito de São Sebastião da Boa Vista, do município de Curitibanos — foi palco de diversas batalhas entre caboclos e soldados. Nesses conflitos, nas localidades de Caraguatá, Caçador Grande, Perdiz Grande, Perdizinhas, Santa Maria e outros locais no interior do município, houve o maior número de baixas em um combate durante toda a guerra.

Aviação no Contestado – “O tenente Ricardo João Kirk tinha 39 anos e tornou-se a primeira vítima fatal de um acidente aéreo na América do Sul. Sua missão na Guerra do Contestado também marca a primeira vez que o aeroplano é usado como instrumento militar no Novo Mundo”. – (Conto–Aviação no Contestado reportado por Alexandre Sales do Conto da Aviação no Contestado do Prof. Franco Roveda).

”Ato inusitado ocorreu durante a Guerra do Contestado (1912 a 1916), o uso de avião no confronto, o que gerou grande pânico nos camponeses (identificados por alguns historiadores como jagunços), antecedendo inclusive ao uso na Primeira Guerra Mundial”. (Comentário de Dirlei Fatima Klein em 18 abril 2010

Como podemos ver, a primeira vez que foi usado o avião, para fins militares, nas Américas, foi aqui, no município de Lebon Régis, na Tapera dos Claudiano. O aeroporto principal foi construído ali, para combater os caboclos no reduto de Santa Maria. É certo que os aviões nem chegaram aqui, mas o propósito foi do seu uso para fins militares, mesmo que outros aeroportos tenham sido construídos em terras do Contestado, a fim de treinamento.

O campo de aviação na Estação de Rio Caçador e nas Perdizes (Tapera do Claudiano) eram as grandes esperanças do exército, pois:

“O concurso que o 1º Tenente Kirk devia prestar a Coluna Sul era o seguinte”

a) Fazer um reconhecimento em Santa Maria, lançando bombas explosivas sobre o reducto;

b) Auxiliar os obuses, fazendo observação e regularização do tiro de bateria;

c) “E, si possível, fazer um ‘raid’ de 50 quilômetros: Claudiano — Santa Maria — São Miguel — reducto do Caçador — Guarda do ‘Santo’ — Luiz de Souza — Claudiano’”. (Cit. Herculano Teixeira d’Assumpção – A Campanha do Contestado, de 1917- pp. 253 e 254).

Observação: – reducto do Caçador – referência ao reduto de Caçador Grande, no município de Lebon Régis.

Lebon Régis abriga locais que remetem à Guerra do Contestado: um capitel que tem o nome de São João Maria, e o Cemitério do Contestado, situado em uma propriedade particular, na comunidade de Perdizinhas. Algumas taipas de pedra identificam o local, no qual foram queimados e enterrados sertanejos durante os conflitos.

Nesta Campanha, pela primeira vez, o Exército utilizou telefones, substituindo telégrafos, usando linha de fios erguidas entre a estação de Rio Caçador e o povoado de Perdizes (São Sebastião do Sul).

A Estrada Grande

A Estrada Grande explica o porquê de a sede do Distrito de São Sebastião — o mais velho, desde 1903 — e também a localidade da Serra da Boa Esperança perderem importância, em relação à Vila de Santo Antônio do Trombudo — transformada em distrito em 1934 — que acabou sendo a sede do município, recebendo o nome de Lebon Régis.

O Distrito de São Sebastião do Sul, entre 1903 e 1925, mais ou menos, era a vila mais importante da região, atingindo Caçador, Timbó Grande, Matos Costas, Calmon e Rio das Antas, além de toda a área constituída do município de Lebon Régis. Na vila, havia Correios, cartório, intendência, juiz de paz, delegado, escola e uma igreja. Era tão importante, que até hoje o IBGE considera como um setor urbano.

A mudança da estrada, desviando de São Sebastião, fez com que todo o tráfego desviasse pela nova estrada, deixando os velhos caminhos dos tropeiros. Com isso, dois povoados ficaram prejudicados: a Vila de São Sebastião da Boa Vista e Serra da Boa Esperança.

Pela lei municipal n° 002, de 26 de agosto de 1903, é criado o Distrito de São Sebastião da Boa Vista, e anexado à Vila de Curitibanos. Pelo decreto lei estadual n° 941, de 31 de dezembro de 1943, o Distrito de São Sebastião da Boa Vista passa a denominar-se Caraguatá. Pela lei estadual n° 387, de 21 de junho de 1950, o Distrito de Caraguatá passa a denominar-se São Sebastião do Sul. O município de Lebon Régis recebeu este nome em 1934.

O Arraial de Santo Antônio do Trombudo se tornou distrito do município de Curitibanos. Em julho do mesmo ano, passou a se chamar Lebon Régis, em homenagem a Gustavo Lebon Régis. Durante o governo do Coronel Vidal Ramos, o qual foi substituído, em 1912, pelo vice-governador Eugenio Müller, Gustavo Lebon Régis foi secretário-geral do Estado de Santa Catarina e capitão do Exército, cargos que exercia no período da Guerra do Contestado, em meados de 1912.

Pela lei estadual n° 380, de 19 de dezembro de 1958, desmembra-se do município de Curitibanos os distritos de Lebon Regis e São Sebastião do Sul, para formar o novo município de Lebon Regis. Como explicamos anteriormente, em 1934, o Arraial de Santo Antônio do Salto (Santo Antônio do Trombudo) foi transformado em distrito de Curitibanos e, em 1958, em município.